Quebrando o silêncio
Mais de um mês no completo silêncio de rádio. Voltei depois de ler Sobre a Brevidade da Vida, do velho Sêneca, com algumas anotações que queria deixar registradas em algum canto.
Uma fortuna pode desaparecer depressa nas mãos de alguém negligente, recursos modestos e bem cuidados, podem sustentar uma existência estável. O valor não está apenas na quantidade recebida, mas no uso que dela se faz.
Ser admirado não prova que se vive bem e ser criticado não prova que se vive mal.
Viver para ser visto é uma tarefa interminável, porque o olhar público nunca se satisfaz por muito tempo.
As pessoas protegem com rigor seus bens materiais, mas permitem que outros disponham de seu tempo. O dinheiro emprestado pode ser reclamado; as horas entregues, não. E ainda assim, é comum tratar a própria atenção como um recurso sem dono.
A vida acontece enquanto as condições são imperfeitas.
O hábito de comparar-se continuamente rouba a experiência do presente. Sempre haverá alguém mais rico, mais admirado, mais produtivo ou mais jovem. Se o valor da vida depender dessa disputa, nunca haverá vitória estável.
A pressa e a procrastinação podem parecer opostas, mas ambas evitam o juízo.